Eleições 2018

Candidato, quem são seus eleitores?

José Armando BUENO

De mil novecentos e bolinha até 2014, a maioria dos marqueteiros — eu inclusive—  debruçava-se sobre perfis sócio-econômicos — alguns poucos psicográficos —  para definir os eleitores dos candidatos. Era o padrão recorrente em função de dados disponibilizados oficialmente pelo IBGE, dentre outros. Sem dúvida era mais fácil, mais rápido e muito, muito mais barato. Mas o mundo mudou definitivamente nesse campo. Pra melhor! Saíram os perfis genéricos e entraram o big data, o gerenciamento por categoria e geolocalização, os digigráficos e, claro, os perfis psicográficos mais sofisticados . Mas o que é isso? É a profissionalização do marketing eleitoral. Mas, os candidatos… ainda estão no século passado.

Candidatos e eleitores multiplicam-se, mas não se conhecem.

OS CANDIDATOS  |  Candidatos, em sua esmagadora maioria, afirmam que conhecem os seus eleitores. Ainda estão no século passado. Alguns citam até dezenas, centenas de nomes. Eu assessorei o deputado federal Dr. José de Castro Coimbra, que era um espanto: conhecia por nome milhares, sim, milhares dos seus eleitores. Mais, era capaz, inclusive, de mencionar passagens, falas, situações. Nunca vi igual. Claro, tinha todo um exercício planejado para isto, mas mal existiam computadores e bancos de dados para este tipo de trabalho. O velho Coimbra, um notável médico, sabe que hoje isto não funciona. Antes, tudo era mercado de massa (anos 80), depois veio a segmentação (anos 90), em seguida a fragmentação (anos 2000), na sequência a atomização e, agora, a personalização. Caminhou junto nesta evolução a tecnologia de dados e, mais recentemente, o big data, dentre outros recursos. Apesar disso, candidatos e eleitores multiplicam-se a cada eleição, mas não se conhecem.

Marqueteiros: amados ou odiados, têm muita responsabilidade pelos resultados, bons ou maus.

OS MARQUETEIROS  |  Responsáveis pelo desenvolvimento da estratégia e de parte significativa das operações de campanha, nós marqueteiros temos muita responsabilidade sobre resultados eleitorais, bons ou maus. Por isso somos amados e odiados. Hoje, alguns já sabem que a identificação dos eleitores potenciais dos candidatos é um processo muito sofisticado e que requer não apenas a utilização de bancos de dados, mas mais especialmente de ferramentas e processos de inteligência psicográfica e digigráfica. Acrescentam-se a geolocalização e o gerenciamento por categoria, semelhante ao que se faz no marketing de produto. Isto tornou todo o processo muito mais complexo e caro, mas trouxe luz aonde só haviam trevas, subjetividade e o império do “eu acho”.

Eleitores, um universo ainda inexplorado.

OS ELEITORES  |  Eles são o fator definitivo e decisivo de todo o processo eleitoral, ainda que muitos candidatos considerem eleitores em segundo plano, colocando acima suas nominatas, partidos, coligações e seus interesses. Eleitores ainda são um universo inexplorado. No novo contexto de customização de perfis, os eleitores formam um gigantesco arquipélago, ligado pelo mesmo curso d’água. Ele representa centenas e centenas de ilhas de diversos formatos, jeitos e configurações. São os eleitores, tão diferentes entre si quanto uma pessoa da outra. E isso altera profundamente a percepção sobre candidatos e o valor do voto. Também os grupos de foco representam importante ferramenta de pesquisa QUALI para auxiliar na busca das identidades entre eleitores e candidatos. Na campanha do prefeito Hildon Chaves foi determinante, e os resultados nos ajudaram muito a desenhar a estratégia de posicionamento e comunicação.

Já faltam marqueteiros e advogados eleitoralistas bem preparados.

A CAMPANHA DE 2018  |  Os dois dados mais concretos sobre as eleições de 2018 são: 1) os candidatos estão despreparados, quase desnorteados; 2) já há escassez de Marqueteiros com “M” maiúsculo; 3) há escassez também de advogados eleitoralistas muito bem preparados, e que conhecem em profundidade o modus operandi de campanhas e a nova legislação, em regulamentação pelo TSE. Claro, a demanda explodiu porque o mercado eleitoral caminha de forma definitiva para a profissionalização. E profissionais bem preparados não são formados através de EAD ou leitura de manuais. Muito além da formação acadêmica e profissional, a estrada, a experiência e a permanente atualização, fazem enorme diferença. E, claro, a entrega de resultados.

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José Armando BUENO é empreendedor e jornalista, editor de A Capital. Dirige a única empresa especializada em marketing eleitoral de Rondônia, Marketing Candidato, e lançou dois projetos ousados e em voo, o Fórum Eleições 2018 e o Curso Eleições 2018.

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