RONDÔNIA

Eleições 2018, campo minado da disputa eleitoral, está pronto para a guerra

José Armando Bueno

As eleições deste 2018 serão as mais competitivas dos últimos 30 anos, pra dizer o mínimo. Na realidade, teremos um processo eleitoral cujo terreno está coberto, palmo a palmo, por minas terrestres de categoria antipessoal, letais: quando raramente não matam, deixam a vítima amputada até a virilha. É uma figura de linguagem bastante expressiva, mas sem exagero, porque teremos sim uma guerra sanguinária em Rondônia, aonde cerca de 600 candidatos vão disputar 34 vagas. É o que você vai ver neste BLOG.

TERRENO MINADO  |  O gigantesco esforço do Congresso para aprovar uma legislação eleitoral protetiva do interesse dos atuais ocupantes das cadeiras federais e estaduais, pode ser um tiro pela culatra. Vai atender, sim, a um grupo de elite da política nacional que, através de enorme força política impositiva e cofres abarrotados, vão alcançar seus objetivos. Mas será uma elite. Os movimentos até agora realizados pelos mesmos caciques que criaram os benefícios eleitorais, demonstram claramente um quadro eivado de incertezas, inseguranças e traições. Sim, esta categoria de políticos – maioria – profissionalizaram o jogo político transformando-o num terreno minado, com o detalhe de que eles próprios andam sobre este terreno. Não é uma síndrome suicida – é algo que a ciência comportamental deveria estudar – e faz parte dos riscos desse jogo que eles adoram: fodem-se uns aos outros pra depois beberem até o amanhecer.

DAVIS X GOLIAS  |  Em Rondônia, até março em uma primeira fase, o festival de composições e traições vai transformar o tabuleiro num inferno. O que antes demorava dias ou semanas pra acontecer, agora muda a cada hora, ao sabor de pesos e contrapesos não apenas dos grupos regionais, mas com interferências pontuais dos caciques nacionais, pois os territórios de conquistas deixaram de ser apenas os grandes centros. Sim, a cláusula de barreira adicionou um tempero explosivo: ao mesmo tempo em que vai dizimar uma dúzia de partidos nanicos, coloca outra dúzia e meia nos calcanhares dos grandes e médios, que não terão como escapar ao inferno de “davis” comendo quase vivos os “golias”. E vão conseguir quinhões de espaços.

É PAU, É PEDRA  |  As poéticas águas de março fechando o verão do querido e amoroso Tom, que criou esta obra prima num momento de sofrimento – é pau, é pedra, é o fim do caminho – em 2018 vão trazer tsunamis e furacões categoria 5 para a política nacional. A famigerada janela partidária, na realidade um buraco para onde a maioria vai atirar-se sem saber aonde vai parar, vai desempenhar o mais importante trabalho de rearranjo das forças políticas nos níveis nacional e estaduais dos últimos 30 anos, já apontando claramente para um novo desenho de forças para as próximas grandes batalhas de 2020 e 2022. Não há escapatória para todos aqueles envolvidos no processo político-eleitoral. Portanto, a partir de março, haverá um novo cenário para a guerra eleitoral, ainda que não definitivo, porque é partir dele que o novo quadro de forças vai buscar a formação dos blocos que vão definir as coligações, as últimas.

AGOSTO, DESGOSTO  |  Depois de março, o terrível agosto, conhecido como o mês do desgosto, é o limite para as convenções e coligações, ou seja, o prazo para que o arranjo de forças posicione-se em definitivo para o enfrentamento das urnas, e o início da propaganda eleitoral oficial. A partir desse momento é guerra, literalmente, considerando que o prazo agora encurtou bastante, e o combate eleitoral terá exatos 35 dias para fazer o trabalho que não foi feito pela maioria dos candidatos e partidos, porque lentos demais para entenderem que 2018 começou em 2014 e intensificou-se em 2016.

FORTUNAS E PODER  |  Neste exato momento de janeiro, os bastidores da política fervem qual caldeirão do inferno. Blocos formam-se e derretem-se como os glaciares da Patagônia, erráticos e sorumbáticos, em desarmonias internas fruto de lutas fratricidas, traições e facções. Por isso as eleições são um terreno minado letal que começa dentro dos próprios partidos e blocos. O pano de fundo? Fortunas e poder. Muito dinheiro e muito poder envolvidos em todas as hostes e categorias, de senador e governador a deputado federal e estadual, com as chaves do cofre nas mãos do governador e dos deputados estaduais. Um jogo aonde o orçamento do estado é apenas um item na lista de movimentações financeiras milionárias, e os cargos outro item na lista dos esquemas de poder.

O IMPÉRIO DA MISÉRIA  |  Confúcio, Daniel, Raupp, Acir, Cassol, Maurão e Aparício são alguns dos nomes que dirigem o espetáculo do terreno minado de 2018. No entorno destes cerca de 600 candidatos acotovelam-se para buscar nacos ou migalhas, não importa. O que importa é estar no tabuleiro do jogo, porque fora dele o destino é cruel, num estado aonde o estado é o dono das riquezas, numa economia anêmica de empreendedores e submetida aos interesses do agronegócio de escala. A avestruz com a cabeça no buraco é a imagem de todos, que não querem olhar os 800 mil pobres e miseráveis (IBGE/2017) e os bilhões de reais que importamos de alimentos, numa região cujo potencial agrícola é desafiante mas dominado por meliantes, que submetem mais de 100 mil famílias agrícolas à dependência de favores. Bem-vindo à guerra pela manutenção dessa matriz da miséria, que poderá ser modificada pelo voto, ainda que de modo lento e dolorido.

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José Armando Bueno é empreendedor e jornalista, editor de A Capital

 

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