Eleições 2018

QUEM DE RONDÔNIA PODERÁ IR PARA O SENADO? UMA ANÁLISE CRUEL DE JOSÉ BUENO!

Quem pode ir para o Senado?

Por José Armando Bueno

A eleição para o Senado em 2018 promete ser uma das mais disputadas desde 1990, base de dados amostral inicial utilizada para este breve estudo analítico, que avançou até 2014. Portanto, trabalhei com sete eleições para o Senado, sendo quatro com uma vaga e três com duas vagas. É certo que ainda há incertezas muito consistentes no cenário de candidaturas e tendências com características de probabilidade, mas na base amostral existe um comportamento do eleitor, que é o ponto de partida desta análise, que pretende contribuir com algum entendimento sobre os cenários deste 2018. Afinal, quem pode ir para o Senado e representar Rondônia até 2026?

UMA VAGA  |  As eleições para o Senado com uma vaga foram em 1990, 1998, 2006 e 2014. O dado típico com característica probabilística, é que a baixa ou estável variação do percentual de votos dos senadores eleitos, indica uma forte tendência do eleitorado em descarregar os votos no candidato, de fato, com maior probabilidade de ser eleito. Sempre, ao seu modo, e muitas vezes contrariando pesquisas, o eleitor acerta, ainda que possa cometer erros. Somos humanos, além de ter de confiar em quem votamos com o risco da decepção, o que prolifera feito capim no país. Mas, vamos ao Quadro 1 abaixo, que condensa os dados de quatro eleições ao Senado, com uma vaga:SENADO-1O registro relevante deste quadro fica para Expedito Júnior, que perdeu o mandato em 2009 por compra de votos e abuso de poder econômico. A decisão do STF também invalidou sua candidatura ao governo do estado em 2010. Assumiu sua vaga no Senado, Acir Gurgacz, segundo mais votado em 2006.

DUAS VAGAS  |  As eleições para o Senado com duas vagas foram em 1994, 2002 e 2010. Este estudo tem a pretensão de apontar a tendência para 2018. O dado relevante nas eleições com duas vagas, ainda que natural, é o impacto do número de candidatos em disputa sobre o percentual de votos para os candidatos eleitos. Quanto mais candidatos, maior o risco para os candidatos preferenciais ou potencialmente mais fortes. Toda eleição fragmentada carrega esse viés incontrolável, por isso os candidatos mais fortes movem-se para conter a fragmentação, fazendo composições, alianças, coligações e promessas de toda ordem. Vamos ao Quadro 2 abaixo, que retrata o resumo de três eleições com duas vagas:

SENADO-2

CANDIDATOS  |  O cenário de candidatos para 2018 tem a tendência de contar com até seis candidaturas, dificilmente mais que isso. Não declarados mas apontados como firmes no cenário estão, hoje, o governador Confúcio Moura, o senador Valdir Raupp, o ex-senador Expedito Júnior, o pastor Aluízio Vidal e, com dúvidas severas, a ex-senadora Fátima Cleide. Muita conversa sem lastro, na realidade especulações e balões, apontam ainda Jesualdo Pires e Marcos Rogério, com outros nomes de baixo impacto eleitoral. O certo é que teremos poucos candidatos pela própria natureza do processo eleitoral atual, aonde os recursos são escassos e concentrados nos grandes partidos e naqueles candidatos em mandato. Lembrando que uma eleição para o Senado é das mais caras, junto com a de governador. Os mais fortes vão sim fazer enorme esforço para conter o avanço da fragmentação, típicas de 1994 e 2002, pois aumenta o risco e encarece a campanha.

BLOCOS  |  A linha mestra para o lançamento e sustentação de candidaturas está na formação dos blocos, com grande poder de atração para a construção das coligações. Hoje estão delineados três blocos, ainda que não definitivos, liderados por candidatos ao governo: Maurão de Carvalho (MDB), Acir Gurgacz (PDT) e Ivo Cassol (PP). O mais frágil deles, até o momento, é o do presidente da Assembléia, Maurão de Carvalho, cuja pré-candidatura não decolou, não colou e pode dissolver-se em março, com a nova e delirante acomodação partidária. Sem o apoio expresso do governador Confúcio e com um MDB dividido por disputas internas, Maurão perdeu fôlego nessa corrida. Os senadores Acir Gurgacz e Ivo Cassol já declararam armas em punho para a disputa, ainda que Cassol tenha que enfrentar o STF novamente. Caso sua candidatura se inviabilize até 15 de agosto, data limite para o registro de candidaturas, aquele que receber suas bençãos poderá contar com mais seis dígitos de votos. Existe uma conversa bem conversada entre Cassol e Expedito, velhos amigos de grandes batalhas, oriundos do mesmo ninho, hoje uma Rolim de Moura em frangalhos, mas que poderá ser a tábua de salvação de Expedito, e a garantia da manutenção de espaços do futuro ex-senador numa composição aonde Expedito surgiria como candidato ao governo.

PASTOR ALUÍZIO  |  Com 77 mil votos para o Senado em 2014, o pastor Aluízio apresenta-se como o pré-candidato com o menor telhado de vidro e poderia ser eleito  não fossem as forças que atuam na disputa de 2018. Seu partido, o REDE, não tem recursos, estrutura e força política para esse enfrentamento, o que não desmerece o valor da sua candidatura, sob o ponto de visto dos valores que deveriam nortear as escolhas pelos eleitores. Mas a realidade é dura e crua. Aluízio não está fora da disputa, de pronto, porque uma eleição só é decidida depois que as urnas forem abertas e os votos contados, mas a natureza do quadro político rondoniense aponta severas dificuldades para sua caminhado ao Senado.

PT  |  O PT precisa posicionar-se. É condição de sobrevivência para o partido, que sangra de norte a sul, leste a oeste. E para isso precisa lançar candidatos com potencial para as disputas, todas. Além de não perder espaços, precisa ocupá-los. Um bom caminho, na realidade uma estratégia certeira, seria uma aliança costurada como um “frentão”, proposta lançada pelo jornalista Roberto Kuppê (veja neste LINK), como um alerta importante para a união das esquerdas. Sim, é também um repto à sobrevivência. E nessa trilha, reorganizando as peças, a ex-senadora Fátima Cleide, com cuidadoso silêncio, vem buscando juntar o partido. Ela poderá ser candidata ao Senado, mas outros poderão vir para a frente do desafio como o ex-prefeito Roberto Sobrinho. Enfim, o PT depende não apenas de um bom nome que reorganize o partido, mas de uma aliança que possa dar fôlego às esquerdas, ainda mais se Lula conseguir, de algum modo, sobreviver à hecatombe que lhe sufoca quase mortalmente.

MDB  |  Com a sigla repaginada para MDB, o histórico PMDB avança. Ainda que o presidente da Assembleia Legislativa, Maurão de Carvalho, não decole, não é possível afirmar que o partido não tenha candidatura própria ao governo do estado. Aliás, é parte do jogo ter um candidato para poder colocar-se na disputa, considerando que o partido é o mais forte e bem organizado no estado, com a maior bancada estadual e federal. Esta posição coloca-o na disputa, qualquer disputa, com vantagens. Ainda que Acir não tenha conseguido – por enquanto – atrair o MDB em bloco para sua candidatura, esta composição não está descartada. A vontade sinalizada para uma composição mais à esquerda, aponta o casamento de Acir Gurgacz/PDT com Daniel Pereira/PSB. Daniel, vice-governador, tem força e autonomia para decidir que caminho tomar, mas isto é uma incógnita natural neste momento. O certo é que o MDB está dividido com a saída do governador Confúcio Moura, para poder viabilizar sua candidatura ao Senado. A composição MDB/PDT só ocorreria se, em tempo legal, a candidatura do Senador Valdir Raupp fosse inviabilizada pela via judicial, o que não deve ocorrer considerando as posições e decisões majoritárias no STF, e o velho e conhecido andar da carruagem dos processos na corte suprema.

RAUPP  |  De forma persistente, o senador Valdir Raupp tem sido dado como carta fora do baralho no tiroteio sem mira da mídia oportunista, em função de ter sido colocado como réu no processo da Lava Jato, agora no STF. Claro que isto é um ponto crítico para o senador, agora colocá-lo, de pronto, fora da disputa, não só é uma especulação primária como infantil. Ainda que tenha dificuldades à frente nos processos que enfrenta e outros que poderá enfrentar, Raupp é o senador mais atuante da história de Rondônia, tem fortes alicerces em todo o estado, tem inegável poder de negociação em todos os níveis e esferas de poder, é mais que preparado, equilibrado e não vai jogar a toalha sem luta. Muita luta. Seus quase 500 mil votos não serão degradados na velocidade que gostariam seus oponentes e detratores. Portanto, Raupp tem gordura pra queimar e não vai desperdiçar um dia sequer neste 2018 para buscar sua reeleição, com chances. Aliás, o senador trabalha pesado tem sete anos, e ainda conta com quase 20 prefeituras sob as asas do partido, um invejável estoque eleitoral sob qualquer condição. Entretanto, há uma falha grave e estrutural: não há uma estratégia nem alinhamento operacional do partido para o enfrentamento de 2018, além do notável desperdício de força eleitoral, capacidade política e integração midiática. No cenário com os três candidatos considerados mais fortes na disputa neste momento, Confúcio, Raupp e Expedito Júnior, é certo que Raupp tem uma vaga garantida, mantida a viabilidade da sua candidatura até o final da disputa.

CONFÚCIO  |  O que falar do governador Confúcio Moura? É a bola da vez em qualquer cenário, inclusive nacional. Se quiser pode até ser ministro de estado, mantido o poder do MDB no cenário nacional em 2019. Em Rondônia, é certo que deverá abandonar o partido que lhe deu vida para poder disputar uma cadeira ao Senado, único caminho que cabe na sua estatura política. A possibilidade da disputa pela vaga com Raupp pelo mesmo partido é praticamente zero. Há ninhos diversos querendo acolher o governador, e o mais preparado hoje é o PSB do seu vice, Daniel Pereira, caminho natural para uma acomodação sem traumas e cheia de benefícios. Daniel deverá assumir o governo no início de abril, ainda que venha manter uma composição com Acir. Somente uma briga ou cisão incontornável entre Confúcio e Daniel pode prejudicar os objetivos de ambos, mas na política, a arte do consenso já uniu água e óleo, contrariando as leis da física.

EXPEDITO, O TEIMOSO |  O ex-senador, dentre os três pré-candidatos mais fortes no cenário atual, tem dificuldades a enfrentar em diversos flancos sensíveis. A começar pelo “seu” partido, o PSDB, as coisas estão bem complicadas. Até agora Expedito não entregou as chaves para a deputada Mariana Carvalho, depois da convenção estadual que a consagrou como presidente regional. Expedito é o teimoso que todos conhecem. Ele fugiu com a bola do jogo depois da derrota, como um menino magoado. Está preparando o desembarque de boa parte da base peessedebista no estado, para migrar para o PSD, hoje com Expedito Netto mas sob a sua tutela escancarada. Expedito não tem saída ou alternativas consistentes. Com três derrotas sucessivas, a primeira com a perda do mandato de senador em 2009 por crime eleitoral, a segunda na disputa com Confúcio em 2010, pelo mesmo crime eleitoral, e a terceira em 2014, ele não pode ir para o combate sem ter o comando de um partido. É suicídio ser coadjuvante ou estar submetido a outro grupo que, declaradamente, não anda com ele, como é o caso dos Carvalho, isto na hipótese improvável dele continuar no PSDB, que também desce a ladeira aceleradamente no plano nacional.

EXPEDITO, O PERDIDO  |  Considerando sua carga de votos em 2006 (267.728 para o Senado, que perdeu depois por crime eleitoral) e 2014 (366.072 no segundo turno para o governo, que perdeu novamente para Confúcio), Expedito não tem o capital político de seus dois principais oponentes, Confúcio e Raupp, ainda que queira. Não poderia deixar de registrar a fragorosa derrota em 2010 – eu estava lá – quando, na base do tudo ou nada, como numa mesa de pôquer, decidiu peitar uma eleição baseado nas viagens jurídicas da sua assessoria. Quase um blefe, se é que não foi, ao custo de milhões. Com alguma força no interior e aguardando o prefeito Hildon Chaves consolidar-se na capital, Expedito não sabe que caminho tomar. Isto é um fato. No interior, fontes no topo da cadeia alimentar eleitoral, apontam que ele está fazendo campanha para governador, encobrindo os rastros dessa iniciativa que o fragiliza perante os próprios correligionários, preocupados não com o futuro do ex-senador, mas com os próprios. Parece que Expedito não aprendeu a lição. Para que sua vontade tivesse lastro, Expedito deveria comandar um bloco com força suficiente para sustentar sua candidatura. Isto está tão longe da realidade quanto Hildon Chaves ser candidato ao Senado pelo PT.

QUADRO GERAL  |  No cenário de tendências de hoje, poderíamos ter como certa a eleição de Confúcio e Raupp, retendo cerca de 60% a 70% dos votos válidos entre ambos, considerando o histórico eleitoral e o desenho de quatro a seis candidaturas no máximo neste pleito. O tiroteio na campanha, para explorar as fragilidades e vulnerabilidades deste e daquele, pode não ter o efeito desejado, desde que os atores dominem a arte da geração de conteúdos de engajamento nas redes sociais. Os exércitos napoleônicos que estão sendo montados, não serão suficientes para a grande guerra. Ainda que outros candidatos novos possam surgir, o lastro político de Confúcio e Raupp é muito forte, consistente. Os blocos partidários que devem acolher suas candidaturas estão em consolidação e devem formar um muro impenetrável até outubro. É este dado da realidade que impede o avanço de Expedito e outros. Este, muito pressionado ainda pelo seu histórico de derrotas e total falta de planejamento em suas campanhas. Sem dúvida, Expedito é – ou era? – um líder notável, mas que perdeu-se no caminho pelo excesso de autoconfiança e até arrogância, e poderá emoldurar-se nos quadros empoeirados nas paredes da história política de Rondônia, dentre aqueles que tiveram tudo nas mãos e desperdiçaram. Em agosto vou registrar nova análise diante do quadro que estará definido em defintivo. Tudo ainda é incerto, ainda que algumas coisas são muito certas, e as pesquisas não vão conseguir captar com a necessária precisão, a notável assimetria do processo. Aliás, as pesquisas logo serão objeto de museu, e o big data será a bola da vez. Até breve.

José Armando Bueno é jornalista e editor de A Capital

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